Meio desconfiada fui andando em direção onde ela me aguardava sentada. Antes que eu dissesse uma palavra, por consideração até, ela me interrompeu. O que eu não pude foi negar, isso nunca.
Achei que nada podia ficar pior, então foi quando vi ele chegar pelas minhas costas. Um beijo no rosto dela e em mim um no braço, acompanhado de um cheiro carinhoso. Aquela cheiro confessava tudo, mesmo sem ele perceber.
Sei que era errado, mas aquilo me despertou uma felicidade estranha. Uma esperança.
O mais incrível foi o que veio a seguir. Ela se distanciou chateada e ele me puxou forte. Me beijou disfarçando, como se o perigo nos despertasse mais tesão que o normal. Eu logo fiquei embriagada, é claro. Mas tentei contê-lo.
Impensado ou não, mas ela viu. Se aproximou bruscamente e falou com voz firme e trêmula ao mesmo tempo. - "Vão se passar mares e mares, mas nós nunca mais vamos nos ver!".
E se foi.
Ele nem se deu o trabalho de tentar entender o que aquilo significava. Vendo que tudo estava por força decidido, ele então voltou pra os meus braços. O meu sorriso confessava tudo outra vez. Nem precisei lamentar o ocorrido. Eu nem mesmo queria fazer isso.
Demos as mãos e saímos abobalhados. Eu não quis imaginar o que passava dentro da cabeça dele. Nem quis. Vi que o olhar dele estava perdido, confuso, agitado. Mas de alguma forma feliz. Não decifrei que tipo de felicidade era aquela, mas existia.
E foi então que ele mais uma me puxou forte e percebeu que o mais inteligente a fazer era viver tudo aquilo. E então vivemos. Intensamente. Proibidamente.
Foi então que mergulhamos um n'outro. Fomos fundo, intenso. Nada ali era importante a não ser o nosso prazer. O resto? Que importa. Isso viria só depois.
Pois é... se tivesse "depois".
O celular então tocou, e eu acordei do meu sonho mais perfeito, onde você por inteiro, me pertenceu.
Foi apenas um sonho, Anjo.


06:04
Gerllany Amorim

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